Pré-treino e Estimulantes: De Amônia e Efedrina à Era Nootrópica

Pré-treino e Estimulantes: De Amônia e Efedrina à Era Nootrópica

Pré-treino e termogênico já foram sinônimo de “agressividade” daí quanto mais forte o estímulo, melhor o produto. Só que o preço quase nunca foi pago na hora — ele vinha em forma de tolerância, ansiedade, sono "zuado" e um sistema nervoso que desaprende a funcionar no modo normal.

Se você treinou nos anos 90/2000, vai lembrar exatamente do clima. Se começou agora, vai entender por que “energia” nem sempre está ligada à performance — às vezes é só cobrança de juros no seu sistema nervoso central.

1) A era do cheiro de Ajax

Quem, como eu, viveu o ambiente das academias nos anos 90 e início dos anos 2000, lembra que o foco era puramente agressivo. Era "puxar ferro" e os ambientes eram bem precários e o mundo fitness ainda era uma promessa.

Eu via conhecidos cheirando amônia (o famoso “Ajax”)  e não era lenda; era uma busca por uma resposta do Sistema Nervoso Central (SNC) - o pré-treino daquela época.

Qual era o efeito? O ato de inalar amônia era provocar o reflexo de inspiração... uma resposta de defesa do corpo que “acorda” o sistema na marra, com pico de alerta e descarga de adrenalina.

Eu treinava boxe, mas tinha começado a frequentar a musculação e ainda nem tinha noção do que era aquilo. Eu era curioso, queria entender o que acontecia...que efeito aquilo causava - e experimentei. Fiquei mal naquele dia, rsrs. Nunca mais.

O problema é simples: além de irritar vias aéreas e mucosa, você começa a ensinar o cérebro um padrão ruim — só responder sob estresse altoE aí aumenta a chance de você precisar de cada vez mais “gatilho” para sentir o mesmo estado de prontidão.

ALERTA. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo, baseado em relatos e contexto histórico do uso de estimulantes no meio fitness. Não é recomendação médica, prescrição ou incentivo de uso.Eu não indico, não prescrevo e não incentivo o uso de substâncias proibidas ou controladas (como DMAA e efedrina) e não vendo essas substâncias.Antes de usar qualquer suplemento ou estratégia estimulante, procure orientação de um profissional de saúde habilitado e respeite a legislação vigente.

2) A invasão dos importados: Jack3d, OxyElite e o “segredo” do DMAA

A virada de chave veio com a chegada dos potes coloridos dos EUA. Jack3d e OxyElite Pro, dentre outros.. O segredo? DMAA (1,3-dimetilamilamina). O negócio parecia mágica: energia “infinita” e supressão de apetite absurda.

DADO DE IMPACTO (o que isso cobra do seu corpo)

O DMAA é um estimulante potente e, na prática, muita gente sentiu na pele o que isso significa: pressão subindo, coração acelerado, ansiedade, e uma “pilha” que vinha mais de estresse do que de performance real. Logo após os efeitos, aquela tristeza...

Depois da queda brusca do estimulo e seu sistema nervoso central descia ladeira abaixo, fora a bagunça na dopamina e noradrenalina.

"Em português claro: ele te joga pra cima rápido demais. Quando o efeito vai embora, seu corpo te puxa pra baixo para compensar."

E tem outro ponto que quase ninguém discute: quando você passa tempo demais dependente de estímulo alto, você pode "anestesiar" sua sensibilidade ao que deveria te dar energia e prazer no dia a dia (sono bom, treino bem-feito, alimentação, rotina). 

A pessoa não quer mais “treinar bem”. Ela quer “se sentir normal”. Aí começou o ciclo

Proibição Ativa: Desde aproximadamente 2013, a FDA age para retirar produtos com DMAA do mercado, devido não ser um ingrediente dietético seguro e que apresenta riscos à saúde. O estimulante foi a pelo menos 86 eventos advesos graves.

3) O preço cobrado pela efedrina (Ripped Fuel) e a era da perda de peso a qualquer custo

Ao mesmo tempo, havia os termogênicos com efedrina — substâncias com venda e uso restritos/proibidos no Brasil. Naquela época, deu-se início à era do emagrecimento no ‘custe o que custar.

DADO DE IMPACTO (o que a maioria não percebe)

A efedrina empurra o corpo para um estado de alta ativação simpática: mais carga para o sistema cardiovascular, mais exigência do coração e mais pressão em quem já tem predisposição (mesmo sem saber).

Uso repetido, dose alta e contexto errado (pouco sono, muito estresse, outras substâncias junto) é a receita clássica para o corpo cobrar a conta.

E essa conta não é “só” uma noite com taquicardia. Em gente predisposta, o risco cardiovascular pode aumentar de um jeito que não vale o troféu do “sequei rápido”.

Volto a dizer que não estou julgando se você faz uso de maneira estratégica e por periodos intercalados, mas vale a pena dizer que cada indivíduo tem um biotipo, uma tolerância e que nada é uma certeza de que tudo vai dar certo.

Se você tem problemas cardiacos, sono ruim, ansiedade ou depressão....Esses produtos realmente não são para você.

4) Onde estamos hoje? A herança dos estimulantes

Muitas dessas substâncias foram banidas (ANVISA/FDA) após relatos graves. Mas o estrago não ficou só na substância. Ficou no hábito: treinar só se estiver estimulado, viver em “modo ligado” e achar normal depender disso.

DADO DE IMPACTO (o que eu vejo no mundo real)

Hoje é comum ver uma geração com sinais claros de desregulação do estresse: sono que não aprofunda, irritabilidade, energia instável e dificuldade de desligar. Em termos técnicos, isso conversa com desregulação do eixo HPA (a orquestra do estresse do corpo).

E quando isso desorganiza:

  • o cortisol tende a ficar desajustado
  • a gordura visceral pode ficar mais teimosa
  • o sono vira um quebra-cabeça
  • e o sistema nervoso “esquece” como relaxar

Não é falta de força de vontade. É fisiologia cobrando excessos.

5) Sinais de que você virou refém de estimulante

Se você quer um teste simples, é aqui:

  • Sem pré-treino, o treino parece impossível.
  • Você aumenta a dose porque “parou de bater”.
  • Você treina “ligado”, mas vive o resto do dia acelerado.
  • Seu sono piora e você compensa com mais estimulante.
  • Você não busca performance; você busca o “susto” pra começar.

Se isso bateu em você, não é sentença. É ajuste de rota.

6) A nova era: performance com inteligência 

A realidade mudou. Hoje, nem atletas de elite querem ser reféns de substância que dá tremedeira, ansiedade e te deixa quebrado no dia seguinte. O foco foi para performance sustentável, mitocôndria, cognição e treinamento consistente.

A nova geração de suplementos, como os que desenvolvemos na Wogue, foca em:

  • Café verde e menos cafeina: energia mais estável, sem o “crash” clássico.
  • Beta-alanina e citrulina: foco no músculo e na resistência, não só no barulho mental.
  • Nootrópicos: foco real e clareza, sem tratar seu cérebro como fritadeira.

Conclusão

Eu não sou contra o uso ( também não indico). Eu sou a favor da inteligência, de suplementos liberados e criados para além do estimulo. As informações que trago são um apanhado do que vi ao longo dos meus 20 anos na área de suplementação e saúde, focados em longevidade.

Treinar é pra vida toda. Se você precisa de um susto químico pra entrar na academia todos os dias, o problema não é “falta de energia”: é seu sistema nervoso pedindo socorro.

Escolha fórmulas que te deem energia limpa ou potência real, mas que respeitem um fato simples: você quer estar treinando forte também aos 70 ou 80 anos, não é?

Pergunta direta: você viveu a era do Ajax, do Jack3d ou do “termogênico raiz”? Qual foi o pré-treino mais pesado que você já tomou — e que efeito ele deixou depois?

Fontes e leituras para quem gosta de se aprofundar:

[Conheça o Rocket pré-pré treino da Wogue]

Sobre o Autor: Fernando Gallo é apaixonado por longevidade e saúde integrada, atuando na linha de frente da Life Longevity. Com foco em nutrição avançada e regeneração tecidual, busca traduzir a ciência em soluções práticas para quem busca um envelhecimento saudável, performance fisica e estética.

Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não constitui aconselhamento médico. Consulte sempre um profissional de saúde antes de iniciar qualquer protocolo.


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